Ando neste momento a acabar de ler um livro intitulado "A sombra do vento". Escrito pelo espanhol Carlos Ruiz Zafón, é muito interessante e tem uma personagem que, assim como os autores aqui do blog, tem autênticos momentos de clareza! Eis uma passagem que, na minha opinião, espelha um desses não tão raros momentos...
- (...) A gente sempre é muito má!
- Má, não - objectou Fermín. - Imbecil, o que não é a mesma coisa. O mal pressupõe uma determinação moral, intenção e um certo pensamento. O imbecil ou bruto não pára para pensar nem para raciocinar. Age por instinto, como animal de estábulo, convencido de que está a fazer o bem, de que tem sempre razão, e orgulhoso por andar a lixar, com vossa licença, todo aquele que se lhe afigura diferente dele próprio, seja na cor, na crença, no idioma, na nacionalidade ou, como no caso de don Frederico, nos seus hábitos de lazer. O que é preciso no mundo é mais gente verdadeiramente má e menos casmurros limítrofes.
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